O lado bom da globalização

Pascal Lamy, IPS / Envolverde

"A globalização, que influi sobre nossas sociedades, gostemos ou não, é uma ameaça para a identidade? Se acreditarmos em tudo que ouvimos, os ventos da globalização estão causando estragos por todos os lados, destruindo identidades e culturas que durante séculos determinaram as relações humanas e levando de roldão todos os valores e costumes locais.

Segundo este ponto de vista, a globalização é uma espécie de homogeneização que está debilitando nossas forças e nos levando à decadência. Há uma quantidade de exemplos para ilustrar este estendido enfoque. Graças ao espetacular desenvolvimento dos transportes e das tecnologias da informação, nosso planeta se converteu em uma grande aldeia cujos habitantes estão desenvolvendo cada vez mais estilos de vida e pautas de consumo similares. Em Paris, Brasília, Xangai ou Montreal, as mesmas redes de restaurantes e de roupas invadem as áreas comerciais, os mesmos filmes estão inundando os cinemas e a mesma música apodera-se das rádios.

Esta globalização, frequentemente, vista como uma penetrante força homogeneizadora que ameaça a enorme diversidade de identidades que tanto contribuiu para o mundo em que vivemos, pareceria estar provocando uma súbita reafirmação de identidade, como uma reação contra o que é percebido como a dominação de uma cultura sobre a outra, que nos priva do que faz com que cada um de nós seja único.

O renascimento do nacionalismo, a emergência ou ressurgimento de movimentos políticos que defendem a identidade nacional, étnica ou religiosa, não são uma prova concreta desta reação?

Esta é uma questão perfeitamente legítima, que tenta interpretar estes fatos como um “choque de civilizações”, para citar a conhecida frase de Samuel Huntington.

Entretanto, existe realmente um choque? Globalização e identidade pertencem a dois universos diametralmente opostos? Quando são produzidas novas tecnologias para a informação, movimentos de capitais e a abertura do comércio, e se estendem as cada vez mais internacionalizadas redes de produção, que seguem de mãos dadas com a globalização econômica, as fronteiras já não contam mais. Por outro lado, a identidade tem suas raízes nas localidades, na história, na cultura, nos valores, em uma linguagem ou em uma crença. A globalização significa movimento, mudança perpétua, enquanto a identidade significa raízes. A identidade é sedentária e o progresso tecnológico é nômade.”
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