08 Fevereiro, 2012

Diante de veteranos da guerra das Malvinas, Cristina Kirchner chamou governo britânico de "irresponsável" por enviar navio de guerra à região


 Opera mundi

“A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou nesta terça-feira (07/02), que o chanceler de seu país, Héctor Timerman, denunciará a militarização do Atlântico Sul por parte do Reino Unido ao Conselho de Segurança e à Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em meio à disputa pela soberania das ilhas Malvinas.

“Mais uma vez, estão militarizando o Atlântico Sul. Não podemos interpretar de nenhuma outra maneira o envio de um destróier [navio de guerra] acompanhando o herdeiro real”, disse, em referência ao príncipe William, que chegou às ilhas na semana passada para a realização de exercícios militares como piloto de caça da força aérea britânica.

Discursando em frente a uma bandeira das Malvinas com as cores da bandeira argentina, Cristina Kirchner classificou a atitude inglesa como “irresponsável” e um “grande risco para a comunidade internacional”, afirmando que este território não pode ser tratado como um “troféu de guerra”.

“Que ninguém espere que façamos algo fora da política e da diplomacia. Somos gente que sofreu demais a violência em nosso país, não nos atraem os jogos das armas e das guerras”, disse ela, reforçando a posição pacífica do atual governo argentino na reivindicação pela soberania das ilhas, que estão sob domínio britânico desde 1833.

“Peço ao primeiro ministro [David] Cameron, que dê, pela primeira vez, uma chance à paz e não à guerra”, afirmou a presidente argentina, que também criticou a “exploração pesqueira e petroleira das ilhas [pelo Reino Unido], sem nenhum tipo de controle”. “É um anacronismo que no século 21 ainda mantenham colônias”, disse.

Abertura

As declarações de Cristina foram feitas após Cristina Kirchner a assinatura de um decreto que determina a criação de uma comissão para a abertura e conhecimento público do Informe Rattenbach, documento elaborado por ordem do ditador Reynaldo Bignone, em dezembro de 1982, meses após a finalização da Guerra das Malvinas, há 30 anos.

Nunca publicado oficialmente, o Informe Rattenbach foi o resultado de uma investigação sobre o desempenho das Forças Armadas argentinas durante guerra no Atlântico sul. O documento estava, até então, mantido em sigilo sob a classificação de “segredo político e militar”, e recomendava penas graves para os responsáveis pela guerra, segundo trechos vazados na imprensa da época.”
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