Guillermo Medina, IPS / Envolverde
“O governante Partido Popular (PP) dá
constantes mostras de dominar a estratégia de comunicação e ter a iniciativa.
Na oposição ao governo anterior convenceu uma maioria de eleitores de que o
problema era o primeiro-ministro Rodríguez Zapatero e que, caso seu candidato,
Rajoy, chegasse ao poder, começaria o fim da crise. Era “a mudança”, como
taumatúrgico Bálsamo de Fierabrás. Foi uma semeadura de expectativas sem concretização
ou mesmo prometendo o que não se podia cumprir.
Uma vez no governo, o PP utilizou a
defasagem do déficit orçamentário em 2011 (de 8% em lugar dos 6% previstos) –
de sobra percebido anteriormente como inevitável, e devido principalmente à má gestão
das Comunidades Autônomas, junto com a entrada em recessão –, para justificar
“a mudança da mudança” e elevar os impostos. A partir de então, o governo do PP
não esconde a gravidade da situação, pelo contrário. As mensagens dizem que “os
dados são de arrepiar”, que os números do desemprego “não melhorarão no curto
prazo. E mais, em 2012 vão piorar” (Rajoy em 8 de fevereiro), e que a saída da
crise será muito dura e levará tempo.
A intenção do governo é clara: quanto pior
for a percepção dos cidadãos sobre a situação e as perspectivas, mais dispostos
e resignados estarão para assumir sem rebeldia as reformas, em primeiro lugar a
“dura e profunda” reforma trabalhista. Se também o susto nos toma em começo de
mandato, as culpas se voltarão instintivamente ao governo anterior.
Até agora, esta estratégia se mostra eficaz
para impedir o que em outro caso poderia significar uma queda dramática do
apoio ao governo. Assim mostram as pesquisas, incluída a última do Centro de
Pesquisas Sociológicas (CIS), que reflete uma exígua perda de apoio popular.”
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