29 Fevereiro, 2012

Espanha: Do estado de bem-estar ao estado de necessidade

Guillermo Medina, IPS / Envolverde

“O governante Partido Popular (PP) dá constantes mostras de dominar a estratégia de comunicação e ter a iniciativa. Na oposição ao governo anterior convenceu uma maioria de eleitores de que o problema era o primeiro-ministro Rodríguez Zapatero e que, caso seu candidato, Rajoy, chegasse ao poder, começaria o fim da crise. Era “a mudança”, como taumatúrgico Bálsamo de Fierabrás. Foi uma semeadura de expectativas sem concretização ou mesmo prometendo o que não se podia cumprir.

Uma vez no governo, o PP utilizou a defasagem do déficit orçamentário em 2011 (de 8% em lugar dos 6% previstos) – de sobra percebido anteriormente como inevitável, e devido principalmente à má gestão das Comunidades Autônomas, junto com a entrada em recessão –, para justificar “a mudança da mudança” e elevar os impostos. A partir de então, o governo do PP não esconde a gravidade da situação, pelo contrário. As mensagens dizem que “os dados são de arrepiar”, que os números do desemprego “não melhorarão no curto prazo. E mais, em 2012 vão piorar” (Rajoy em 8 de fevereiro), e que a saída da crise será muito dura e levará tempo.

A intenção do governo é clara: quanto pior for a percepção dos cidadãos sobre a situação e as perspectivas, mais dispostos e resignados estarão para assumir sem rebeldia as reformas, em primeiro lugar a “dura e profunda” reforma trabalhista. Se também o susto nos toma em começo de mandato, as culpas se voltarão instintivamente ao governo anterior.

Até agora, esta estratégia se mostra eficaz para impedir o que em outro caso poderia significar uma queda dramática do apoio ao governo. Assim mostram as pesquisas, incluída a última do Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS), que reflete uma exígua perda de apoio popular.”
Artigo Completo, ::Aqui::

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