Nigéria à beira do caos

A violência do movimento fundamentalista islâmico do norte e os ataques dos separatistas sulistas católicos são a receita política para manter o país parado em uma situação de permanente convulsão

Achille Lollo, Brasil de Fato

No dia 5 de fevereiro chegava à redação milanesa do jornal Corriere della Sera um comunicado, assinado pelo comandante do Mend (Movimento para a Emancipação do Delta do Niger) Jomo Gbomo, que reivindicava para a organização a destruição, na localidade de Brass, do oleoduto que a empresa petrolífera italiana Agip havia construído no estado de Bayelsa para escoar o petróleo até os portos de embarque onde estão localizadas as refinarias com seus tanques de armazenamento.

No comunicado, Jomo Gbomo lançava ataques duríssimos às multinacionais, em particular à British Petroleum e às sul-africanas MTN e Sacoil, enquanto o governo federal nigeriano era chamado de incapaz por estar fazendo uma péssima administração e por querer sacrificar a renda petrolífera para construir duas centrais nucleares.

Porém o principal signifi cado político do atentado é a resposta aos fundamentalistas nortistas da organização Boko Haram, que, em 2 de fevereiro, deram aos cristãos da Nigéria um prazo de três dias para abandonar o país. Em coletiva de imprensa telefônica clandestina, Abdul Qada, porta-voz oficial do movimento, leu um comunicado no qual os cristãos eram apresentados como o principal inimigo dos muçulmanos da Nigéria: “Vocês, cristãos, têm três dias para ir embora da Nigéria, caso contrário, vão sofrer as consequências”.

Uma ameaça que, na realidade, é mera propaganda para criar o clima político apto a provocar a eclosão de uma “guerra santa contra os cristãos da Nigéria”. Uma guerra que, como no passado, tem como causa a disputa pelo controle estratégico da venda do petróleo e do gás que, na suas quase totalidades, são extraídos no sudeste do país, isto é, na região do delta do rio Níger, onde a maioria da população é da etnia Igbo e de religião católica.”
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