Cristiano Navarro, Brasil de Fato
Os compromissos assumidos pelo governo grego incluem o corte de 15 mil empregos públicos, uma redução de 22% no salário mínimo, a flexibilização de leis trabalhistas (para facilitar a demissão de trabalhadores) e um pacote de impostos e reformas previdenciárias. Os países europeus querem que a Grécia economize mais 325 milhões de euros este ano.
No domingo (dia 12 de fevereiro) em que a população se revoltou contra as medidas, Kostis Damionotas esteve entre os manifestantes que ocuparam a prefeitura de Atenas por algumas horas, até serem expulsos por forças policiais. Trabalhadores públicos e privados têm sofrido com a grave situação que atravessa o país. Entre as categorias de funcionários públicos que não tiveram cortes estão os policiais e clérigos da igreja ortodoxa – sustentados pelo Estado.
Kostis, que milita em grupos autônomos e em uma cooperativa de trabalhadores da agricultura, avalia o momento vivido por seu país como aquele em que a troika está com a “bota” no pescoço dos gregos, mas adverte: “os gregos têm, historicamente, a tradição de se revoltar contra o opressor quando não aguentam mais a bota do invasor”.
Brasil de Fato – Como está a situação política hoje na Grécia?
Kostis Damionotas – O que tem acontecido nos últimos meses é que o governo eleito, em 2009, anunciou em 2011 uma coligação com a direita e a extrema direita e agora temos um governo que não tem a aprovação da população. Essa configuração de governo não eleito passa muitas medidas que não são consultadas nem junto ao povo nem ao parlamento. Por isso, recentemente houve uma rebelião na base dos partidos de apoio do governo, quando 50 deputados saíram dos partidos governistas e foram para a oposição.
Como foi recebido esse novo pacote de austeridade?
Esse novo pacote prevê cortes maiores do
que o anterior. A troika,
inclusive, está impondo cortes de salário no setor privado, contrariando a
ideia de que o setor privado é livre para se autorregular. Além disso, temos
mais cortes em aposentadorias e salários do setor público. Tem casos que, no
setor público, desde o começo dessa crise os trabalhadores perderam mais de 50%
de seus salários. Com essas medidas de austeridade absurdas o índice de
desemprego subiu. Oficialmente o desemprego está em 20%, mas na realidade está
em torno de 45%. A situação é muito complicada. Você vê as pessoas desanimadas
e começam a surgir atitudes de desobediência e revolta até por parte de pessoas
que nunca pensaram em sair às ruas, nunca pensaram em quebrar propriedade
privada ou propriedade pública, ou jogar pedra na polícia. No domingo [dia 12
de fevereiro] mais de 45 prédios em Atenas, principalmente de bancos. Foram
queimados pela indignação e revolta do povo.”
Entrevista Completa, ::Aqui::



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