Espanhóis denunciam fraude democrática no governo de Rajoy



Mais de 100 mil cidadãos de todo o país tomaram as ruas de Madri para exigir que o chefe do Executivo nacional convoque uma consulta popular sobre as medidas anticrise tomadas no primeiro ano de sua administração. “Questionamos a legitimidade do governo para levar a cabo medidas que não formaram parte de seu programa eleitoral”, avisa o manifesto assinado por 900 entidades do país. A reportagem é de Naira Hofmeister e Guilherme Kolling, direto de Madri.

Naira Hofmeister e Guilherme Kolling, Carta Maior

Centenas de organizações da sociedade civil espanhola colocaram em xeque o governo de Mariano Rajoy (PP) na manhã deste sábado, 15 de setembro. Mais de 100 mil pessoas de todo o país se reuniram em Madri para pedir um referendo sobre a política de cortes nos gastos públicos implementada pelo chefe do Executivo para combater a crise econômica.

“Não descartamos que o governo convoque uma consulta popular, entretanto, se não o fizer, nós vamos garantir que a população seja ouvida”, avisou o secretário-geral do sindicato Comissões Obreiras (CCOO), Ignacio Toxo, antecipando que a iniciativa pode vir das próprias entidades. Outra medida estudada é uma greve geral de 48 horas.

A acusação das ruas é que durante a campanha eleitoral - antecipada em razão do descontentamento com o anterior presidente, José Luis Rodríguez Zapatero (PSOE), que já tinha tomado medidas impopulares para combater os problemas econômicos - Rajoy sustentou inúmeras vezes que não subiria impostos nem diminuiria recursos de setores como saúde e educação pública, o que acabou fazendo.

“Nenhuma das medidas que desde janeiro se vem aplicando foi submetida à consideração da cidadania nas passadas eleições de 20 de novembro. Trata-se de uma autêntica fraude democrática”, acusava o manifesto da Cúpula Social, organização formada por 900 entidades que convocaram a marcha.

O próprio Rajoy admite que descumpriu as promessas eleitorais, mas afirma que não há alternativa diante do cenário que se apresenta: o governo endividado depende de dinheiro da União Europeia e por isso tem que cumprir com as exigências feitas pela troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional - FMI - e Banco Central Europeu).

“Esse ato é um marco para que a sociedade espanhola reverta essa política inútil e suicida que não resolve o problema do déficit. Basta já dessa submissão servil à União Europeia e de fazer ouvidos surdos à população”, exigiu o secretário-geral do sindicato União Geral dos Trabalhadores (UGT), Cándido Mendez, durante seu discurso.

O que nos cânticos das ruas foi traduzido como: “Es saqueo, es intervención; lo manda la Merkel, lo manda Washington”, entoado pelos integrantes da Unificação Comunista da Espanha, um dos coletivos mais animados entre os tantos que tomaram o centro de Madri. Políticos e banqueiros voltaram a ser os alvos preferidos na passeata, em que não faltaram ataques aos dois partidos que se alternam no poder nas últimas décadas, PSOE e PP.”
Foto: Naira Hofmeister
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