Turismo na Cisjordânia impulsiona economia e protege palestinos de abusos

O guia turístico Samer Kokaly fala sobre os benefícios da ida de visitantes aos territórios palestinos


Opera Mundi

Samer Kokaly é gerente de operações da ATG (Grupo de Turismo Alternativo, na tradução do inglês), uma agência de turismo palestina sem fins lucrativos, fundada em 1995 em Beit Sahour. Os tours são organizados em conjunto com a agência de Israel Green Olive (Azeitona Verde), coordenada por judeus pacifistas. Entre os principais objetivos da instituição estão o aumento da presença internacional na região, a diminuição dos estereótipos presentes no Ocidente em relação aos palestinos e o incentivo de visitas à Palestina como forma de dinamizar a economia local e fazer um contraponto ao turismo de massa em Israel.

Nascido na Palestina, Kokaly estudou turismo em Thessaloniki, na Grécia. Após retornar em 1992, começou a trabalhar em uma agência em Tulkarm, a cerca de 2,5 horas de Beit Sahour. Devido à distancia e aos inúmeros pontos de controle, os famosos check points, que tinha de enfrentar para chegar ao trabalho, acabou se demitindo. Em entrevista a Opera Mundi, Kokaly conta como é o dia a dia dele e das pessoas afetadas pelo conflito, e explica porque o turismo serve como proteção para milhares de palestinos afetados pela repressão.

OM: Como vocês organizam esses encontros entre ambos os grupos se os palestinos não têm autorização para entrar em Israel e os israelenses não podem, por sua vez, entrar em território palestino?
SK: Israelenses judeus não podem entrar nas áreas A, sob total controle palestino. Os árabes que vivem em Israel sim. A alegação é sempre segurança. Enfim, os israelenses podem vir até a Cisjordânia, somente nos assentamentos da área C, sob controle de Israel. Como é mais difícil para a gente ir até lá, eles vêm até a Cisjordânia. Uma vez por mês nos reunimos. Infelizmente, muitos israelenses e palestinos não se encontram como pessoas. Há crianças palestinas e israelenses que nunca se viram. Esse encontro entre árabes e judeus só ocorre nas fronteiras. Mas é claro que eles não conversam, não se abraçam, não apertam as mãos. Um monte de gente inocente (israelense e palestino) paga um preço muito caro por esse conflito.

OM: Você poderia explicar quais são os principais objetivos e propostas da ATG?
SK: A ideia é promover a imagem da Palestina e dos palestinos. Convidar as pessoas a virem até aqui, a encontrar os habitantes locais e passar mais tempo com eles. O turismo sempre foi monopolizado pelo Ministério do Turismo de Israel. As agências internacionais israelenses organizam todos os tours, os turistas fazem tudo em Israel, gastam todo dinheiro por lá, dormem, comem e vêm à Palestina somente para ir à Belém durante uma tarde ou uma manhã. Às vezes, eles sequer comem por aqui. Isso afeta nossa economia. Mas, mais importante que isso, se trata de ter contato com as pessoas. Muitos turistas descem do ônibus com medo, chegam assustados porque escutam o tempo todo de guias turísticos em Israel que aqui é muito perigoso.”
Entrevista Completa, ::AQUI::

Comentários

Brito disse…
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