EUA tentam impedir que chinesas prestes a dar à luz entrem em arquipélago do Pacífico


Ilha de Saipan, a maior emais populosa do arquipélagos das Ilhas Marianas do Norte

Fluxo de grávidas às Ilhas Marianas do Norte têm crescido para que bebês recebam cidadania norte-americana


Autoridades dos Estados Unidos estão se mobilizando para interromper um fluxo crescente de turistas chineses às Marianas do Norte, um arquipélago de 15 ilhas localizado no Oceano Pacífico e que faz parte do território norte-americano. Esses turistas, sejam casais ou mulheres grávidas, têm visitado o território com um único propósito: dar à luz.

Discretamente, os EUA já alertaram as agências de turismo chinesas para interromperem a promoção de pacotes de viagens a mulheres chinesas que queiram realizar partos em território norte-americano. A razão para isso é que qualquer criança nascida nas Marianas do Norte tem direito a receber cidadania norte-americana e, nos últimos anos, o número de nascimentos de bebês chineses aumentou dramaticamente.

O governador das ilhas, Eloy Inos, afirmou ao jornal local Saipan Tribune que agentes de imigração mandaram de volta à China cerca de vinte “turistas de parto” nos últimos quatro meses em razão de “problemas na documentação”.

Em agosto, uma turista grávida que chegou em um voo direto de Xangai pela noite foi mandada de volta na manhã seguinte à China. Fenny He, a agente de turismo responsável pela viagem, afirmou ao Tribune que alertou a mulher para não realizar a viagem, mas ela se “recusou a escutar”.

Só nos primeiros sete meses de 2013, o tráfego de turistas chinesas ao arquipélago já alcançou os números de 2012. No mês de julho, foi registrado um aumento de 49%, chegando a 11.177 pessoas. A população do arquipélago é de 52 mil pessoas. Os nascimentos nas ilhas Marianas do Norte têm registrado decréscimo constante. No entanto, os nascimentos de bebês de origem chinesa aumentaram em 175% entre 2010 e 2012. No ano passado, os chineses tornaram-se a principal etnia da ilha em relação a nascimentos.

Muitas das mulheres que viajam para as Marianas têm o objetivo de evitar retaliações, multas ou perdas de benefícios por parte do governo chinês, que adota a política do filho único - programa de controle da população chinesa que restringe o número de bebês permitidos para casais em zonas urbanas (sem incluir gêmeos e minorias étnicas). Dessa forma, o arquipélago tornou-se uma alternativa interessante, já que, embora longe da costa chinesa (fica localizada entre as Filipinas e o Havaí), é possível obter um visto de turismo com duração de 45 dias.

Se o problema não for resolvido, as autoridades locais temem que o governo central dos EUA revogue o visto de turismo para chineses, o que teria um sério impacto para a economia local, já que esta se tornou a principal atividade econômica do arquipélago após a falência da indústria têxtil.

As Marianas do Norte pertencem aos EUA após terem sido tomadas do Japão durante a II Guerra Mundial. Apenas três das 15 ilhas são habitáveis e a população local não reivindica independência. Saipan é a maior e mais populosa das ilhas e recebe oito voos charter por semana das cidades de Guangzhou, Xanghai e Pequim.

Os congressistas representantes da ilha em Washington, sem direito a voto, pediram ao Departamento de Segurança Interna para negar a entrada a turistas grávidas. Em resposta, o departamento de imigração decidiu agir através das agências operadoras de turismo chinesas, desencorajando a prática.

Um morador do arquipélago de origem taiwanesa chegou a ser condenado a nove meses de prisão em março, após se declarar culpado de uma acusação de acolher imigrantes ilegais para obter ganhos financeiros. Agentes federais afirmaram que ele tinha organizado visitas para mulheres turistas chinesas cujo objetivo real era dar à luz.

Segundo o governador, outro problema enfrentado ocorre após os partos: muitas turistas voltam à China sem pagar pelo serviço, viajando de volta para a China. O único hospital de Saipan cogita pedir um depósito antecipado para evitar o problema. Outra proposta seria aumentar o preço dos certificados de nascimento em até 50 mil dólares para “determinadas categorias de turistas”.

Comentários

Leia Mais..