Caso de pais acusados de matar filho a golpes em ritual religioso choca os EUA

Pais dos jovens espancados foram presos; advogada da mãe, Deborah Leonarda, disse que ela era submissa demais para enfrentar os outros membros da igreja e impedir as agressões
"O que começou com uma sessão de terapia espiritual de um grupo cristão acabou com a morte a golpes de um jovem de 19 anos – o irmão do rapaz, de 17 anos, ficou gravemente ferido.

Da BBC

Seis pessoas foram presas, sendo que dois deles eram os pais do jovens.

O caso ocorreu em New Hartford, uma pequena cidade no estado americano de Nova York. A população local ainda custa a acreditar que a pequena e secreta comunidade da igreja Word of Life (Palavra da Vida em inglês) fosse capaz de algo desse tipo.

"Os irmãos foram submetidos a castigo físico durante várias horas, para que confessassem seus pecados e pedissem perdão", disse o chefe da polícia local, Michael Inserra.

Os irmão Lucas e Christopher Leonard teriam sido golpeados no último domingo, por vários membros do grupo religioso, qualificado de "culto" pelas autoridades locais.

Os próprios familiares de Lucas o levaram para um hospital. Eles mentiram aos médicos, dizendo que o rapaz havia sido baleado. Lucas morreu na segunda-feira à tarde.

Agonizando

Já no caso de Christopher, ninguém o levou para que recebesse tratamento.
Ele foi encontrado depois que a polícia começou a investigar a história, ao ser notificada do caso de Lucas.

Por meio de uma série de interrogatórios com membros da igreja, a polícia soube que Christopher também havia sido duramente espancado na mesma sessão. E as buscas por ele começaram.

"Demoramos horas para encontrá-lo", disse Inserra. O jovem foi encontrado agonizando no segundo andar da igreja.

No total, seis pessoas foram presas: Bruce e Deborah Leonard (pais dos jovens), Sarah Ferguson, Joseph Irwin, Linda e David Morey.
Não há informações sobre os supostos pecados que os irmãos deveriam confessar. Eles foram alvo de socos e chutes, que lhes causaram lesões no abdômen, genitálias, costas e nas pernas.

"Queremos entender porque isso aconteceu, como a ‘sessão de terapia’ saiu de controle de tal maneira que custou a vida de um jovem", disse Inserra.

Na quarta-feira, os primeiros suspeitos foram presos. Os pais dos jovens, Bruce e Deborah Leonard, de 65 e 59 anos, são acusados de homicídio por imprudência e agressão.

Ambos compareceram diante de um juiz e se declararam inocentes. O juiz fixou uma fiança de US$ 100 mil para cada um.

"Não afirmamos que tiveram a intenção de matar o filho deles", afirmou o advogado do Ministério Público local, Scott McNamara, que acrescentou não ter provas suficientes para acusá-los de assassinato.

"Apenas alegamos que havia a intenção de ferir gravemente seu filho – e que ele morreu por conta dos ferimentos."

O advogado de Deborah Leonard, Deven Garramone, afirmou que a mulher se sentiu incapaz de interromper a sessão de castigos.

Vizinhos da igreja disseram que já desconfiava que algo suspeito acontecia no local
"Conforme os atos se tornaram violentos, a Deborah não teve força emocional para se opor às demais pessoas da igreja, que ela frequenta há 30 anos", afirmou o advogado.

"A situação saiu do controle. Essa mulher é tão submissa e tão tímida que não teve força para enfrentar aos outros."

Quatro membros da mesma igreja – entre eles Sarah Ferguson, meia irmão dos garotos – foram acusados de agressão de segundo grau e foram detidos sob fiança de US$ 50 mil cada um.

Os outros três detidos são Linda Morey, David Morey e Joseph Irwin.

Grupo reservado

Desde que a notícia veio à tona, os vizinhos da igreja estão dando entrevistas, tentando explicar como algo assim ocorreu tão perto da casa deles.

Alguns dos moradores disseram ao site Syracuse.com que a igreja é uma seita e que é possível escutar seus membros cantando de madrugada dentro do local.

Outros vizinhos afirmaram que o lugar sempre foi cheio de mistério e segredos.
"Todo mundo da comunidade sempre disse que algo estranho acontecia ali. Todos nós nos sentíamos assim", disse Connie Toukatly, de 76 anos, ao jornal New York Times.

"É muito triste que tenha chegado a esse ponto."

Alguns membros da igreja vivem na própria sede, onde a polícia encontrou várias crianças, que foram levadas aos serviço de proteção infantil da cidade.

As autoridades contam que o grupo, que chegou a ter 40 membros, agora conta com 20 fiéis."
Via Google Plus

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Revista- WMB

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