Turquia: Erdogan exige que EUA extraditem Fethullah Gülen, a quem acusa de tentar golpe

Erdogan fez pronunciamento público neste sábado e pediu a extradição de Fethullah Gülen dos EUA
Líder do movimento social-religioso Hizmet, Fethullah Gulen deu entrevista a jornalistas nos EUA em que rechaçou estar por trás de tentativa de golpe militar; ele sugeriu que Erdogan esteja por trás da ação

Por Rafael Targino, Opera Mundi -

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, exigiu neste sábado (16/07) que os Estados Unidos extraditem o clérigo turco Fethullah Güllen, líder do movimento social-religioso Hizmet, que mora na Pensilvânia. O mandatário afirma que Güllen, com quem tem relação conflituosa após um rompimento político há três anos, está por trás da tentativa de golpe militar da noite da última sexta-feira (16/07). O clérigo nega envolvimento.

"Que nos entreguem o personagem da Pensilvânia", exigiu Erdogan, em referência ao local onde Gülen vive nos EUA, durante um ato público que reuniu milhares de pessoas em uma praça de Istambul.

Horas antes, o primeiro-ministro, Binali Yildirim, já havia afirmado que um país que abriga o "líder do Estado paralelo", como as autoridades do país se referem a Gülen, não pode ser um “amigo da Turquia”. Ainda na sexta-feira, dia da tentativa do golpe, Erdogan, ao voltar a Istambul, havia acusado diretamente Gülen de orientar os militares que se envolveram na ação.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pediu que a Turquia enviasse evidências de que Gülen esteja envolvido na tentativa de golpe. Kerry, de acordo com a emissora britânica BBC, está em Luxemburgo e afirmou não ter recebido nenhum pedido de extradição vindo de Ancara.

Erdogan e Gülen já foram aliados, mas essa aliança acabou em 2013, após denúncias de corrupção que atingiram familiares do presidente e altos membros do gabinete. A partir deste momento, o mandatário passou a acusar Gülen de, com o Hizmet, implantar um “Estado paralelo” na Turquia, com o objetivo de derrubá-lo.

Oficialmente, o Hizmet não possui uma cadeia de comando: ele é formado, segundo os próprios simpatizantes, de pessoas que se sentem próximas aos ideais religiosos e humanistas de Gülen e passam a praticá-los.

Erdogan afirma que pessoas que se identificam com o Hizmet, que estão em todos os locais da vida pública turca – inclusive nas Forças Armadas, no Judiciário e em outras atividades – são, na verdade, infiltrados que conspiram para pôr fim a seu governo. Os simpatizantes do movimento negam categoricamente a acusação.

Em maio deste ano, uma lei que classifica o Hizmet como grupo terrorista foi aprovada no Parlamento do país.

Erdogan acusa Gülen de ter implantado um "Estado paralelo" na Turquia; ele nega - EFE
Entrevista

O recluso Gülen, de 75 anos, deu a primeira entrevista em dois anos neste sábado a jornalistas. Ele negou envolvimento com a tentativa de golpe e sugeriu que o próprio presidente, a fim de estender seu poder no país, esteja por trás da ação.

“Não creio que o mundo acredite nas acusações do presidente Erdogan”, afirmou Gülen, de acordo com o jornal britânico The Guardian. “Existe uma possibilidade de que possa ser um golpe encenado e poderia servir para novas acusações [contra os gulenistas]”, disse.

O clérigo diz também rejeitar qualquer tipo de intervenção militar. “Agora que a Turquia está no caminho da democracia, não pode voltar atrás”, afirmou. De acordo com o Guardian, a saúde de Gülen é frágil e, antes da entrevista, ele foi atendido por um médico, que tirou sua pressão sanguínea.

Após a conversa com jornalistas, ainda de acordo com o Guardian, Alp Aslandogan, consultor de mídia de Gülen, disse estranhar a maneira como a tentativa de golpe foi levada a cabo na sexta-feira. “O golpe parece ter sido mal planejado, muito mal executado e tudo parece estar indo para as mãos de Erdogan. Há muitos pontos de interrogação grandes de como [a tentativa de golpe] foi executada”, afirmou.

Aslandogan disse ao Guardian não acreditar que pedido de extradição de Gülen prospere. “A posição do governo dos Estados Unidos sempre foi a de investigariam se houvesse qualquer evidência de que Gülen descumpriu leis. Até agora, o governo turco não conseguiu produzir nenhuma prova. Graças a Deus, este [EUA] é um país de leis, e nós dependemos dela.”
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