Putin e Trump: quais interesses motivam a aproximação?

 
Jornal GGN - 
 
Após o relatório da Inteligência Nacional norte-americana confirmar que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou uma campanha para tentar influenciar o resultado da eleição de vitória a Donald Trump, nos Estados Unidos, a dúvida que se levanta é: o que Trump pode oferecer a Putin e Putin a Trump?
 
No contexto do material divulgado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos, o documento mostra que o objetivo de ajudar o republicano a derrotar a democrata Hillary Clinton não ultrapassou, por outro lado, a legalidade das urnas.
 
A atuação russa ocorreu por meio de hackers que, com a suposta autorização de Putin, invadiram os computadores do Partido Democrata e divulgaram as informações ao WikiLeaks de que a sigla favoreceu Hillary nas primárias, com o intuito de ferir a imagem dos democratas. 
 
O caso levou o então presidente Barack Obama a expulsar 35 diplomatas russos acusados de participar da espionagem. Após a divulgação do relatório "não confidencial", nesta sexta-feira (06), Obama em tom irônico advertiu o seu sucessor que Vladimir Putin "não faz parte da equipe" de governo.
 
"O que é certo é que os russos tinham a intenção de interferir, e o fizeram", disse em entrevista a uma televisão norte-americana, neste sábado. "Devemos lembrar que [republicanos e democratas] estamos na mesmo time e que Vladimir Putin não faz parte da equipe", completou.
 
Mas diante dessas informações, analistas de todo o mundo tentam entender até que ponto os dois líderes poderiam se beneficiar de uma cooperação. Para responder a essa pergunta, o colunista Jorge Almeida Fernandes, no jornal português Público PT, trouxe algumas explicações.
 
Narrou que o vice-diretor do Centro de Estratégia e Estudos Internacionais Rússia e Eurásia, autor do livro Política Externa Russa: O Retorno das Políticas de Grande Poder (Ed. Rowman & Littlefield, 2009), Jeffrey Mankoff, disse que "Moscovo deseja diminuir as tensões com os Estados Unidos e obter o acordo de Washington sobre um novo mundo multipolar baseado em esferas de influência das grandes potências, em detrimento das normas e instituições liberais que dominaram a era pós-Guerra Fria".
 
Além disso, o historiador britânico Niall Ferguson escreveu para a Foreign Affairs o que Putin almeja: "Item n.º 1: o levantamento das sanções. Item n.º2: um fim da guerra na Síria em termos russos - que incluiria a preservação de Assad no poder, no mínimo após um ‘intervalo decente’. Item n.º 3: o reconhecimento de facto da anexação russa da Crimeia e algumas mudanças constitucionais destinadas a tornar impotente o governo de Kiev, concedendo à região oriental do Donbass um permanente direito de veto pró-russo."
 
Do outro lado, "Moscovo aposta no argumento de que nem na Ucrânia nem na Síria estão em jogo 'interesses vitais' americanos. E aposta noutro plano, pensando: um 'negócio' com o adversário tem precedência sobre a defesa de um aliado, tanto mais que a Ucrânia não faz parte da NATO. E, explorando o que Trump até agora disse em termos de política internacional, calculará que a Europa ficaria à margem de um entendimento entre os 'grandes'", raciocinou o português Jorge Almeida Fernandes.
 
De acordo com os analistas, os russos estariam dispostos a uma "grande negociação", uma vez que "quer não apenas um ‘novo [acordo de] Ialta’, mas também um acordo sobre o direito de a Rússia interpretar as regras globais e construir uma ordem baseada no equilíbrio dos interesses e poderes". 
 
E, por fim, "é evidente que as ideias de Trump se inserem no triângulo Washington-Moscovo-Pequim. Diga-se que a linha dura de Trump em relação a Pequim não desagrada a Moscovo, que se lembrará de Kissinger. Dizia ele que, naquele triângulo, a América deveria estar mais próxima de Pequim e de Moscovo do que estas entre si", conclui o colunista.
Via Google Plus

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Revista- WMB

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